28 Jan
Escolhas contraditórias

Muitas pessoas que eu conheço passaram no vestibular daqui da cidade onde eu moro (não, não fiz vestibular aqui), mas esse não é assunto. Como eu conheço a maioria dos novos calouros, sei bem o tipo de pessoa que são, mais ou menos o perfil delas. E eu fico indignada - e aí que vem a dúvida - se sou só eu que penso assim: Uma menina, chamada Fulana que sempre foi sozinha na escola, tão tímida que não conversava direito nem com as amigas, gaguejava em trabalhos em grupo, retraída, escolheu Direito. Sem querer ser preconceituosa... Tá, vou ser. Como uma pessoa dessas vai se tornar uma boa advogada, me digam?! Um advogado, precisa saber convencer as pessoas, falar em alto e bom tom suas idéias e defendê-las. Claro, ela vai desenvolver essa habilidade durante o curso, mas será que vai desenvolver suficientemente?

E outra, a Ciclana que fez Zootecnia, sendo que morre de medo de dar comida pra um Bezerro. Ou outro, que fez Medicina só por status e desmaia quando vê sangue. E tem mais um, que fez Artes Visuais sendo que não sabe nem desenhar e não tem a mínima noção de cores e nem está atualizado com o que se passa por aí. Outro fez História e odeia ler; WHAT THE HELL as pessoas tão achando que faculdade é? Acham que só por fazer Direito, ou Medicina vão ser bons? Claro, se você gosta, não há mal algum. Mas fazer só pra ser o xodózinho da família não dá, simplesmente não dá. É acefalismo, eu vejo todos se arrependendo depois. Onde vamos parar?

Eu sinto fala, sinto falta da personalidade das pessoas falando mais alto, sinto falta de alguém que realmente debata os assuntos e não ache que assistir jornal na hora do almoço é cafona; que não ache que MPB é old e Sertanejo Universitário é tudibom; que pense em ver um reality show em que você possa realmente analisar o comportamento das pessoas, e não um reality show que virou vitrine de Playboy; que não ache que usar vestido é coisa de puta e que saia de cintura alta é pra vovó; que ache horrível sair para barzinhos a noite de tênis; que tenha uma opinião formada sobre os acontecimentos atuais.

Não que gostar de assistir As Meninas Super Poderosas no Cartoon seja ignorância, não. Não quero ser hipócrita e dizer pra todos que só assisto Discovery Channel e Tv Senado. Ou que só leio Superinteressante e Galileu (apesar de eu adorar). Aliás, sou contra esse tipo de limites: se vejo anime, sou otaku, se escuto rock sou metaleira, se danço hip hop sou "mano"; AAH ME POUPE. A ignorância de muitas pessoas me irrita. E muito. Mas quero ser espectadora do arrependimento de todas essas pessoas no futuro pra rir, ou ajudá-las.

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